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a letter from dad sofia chang

“Não seja feliz, seja livre”: uma carta do papai.

Então, eu fui viajar há alguns dias.

Munique, Praga, Budapeste. Munique porque é uma cidade que eu sempre quis conhecer, desde que eu era criancinha – é a cidade onde meus pais se conheceram, foram no seu primeiro encontro etc (a história toda, né). Praga e Budapeste porque várias pessoas recomendaram e porque eram baratas.

No meu último dia em Munique, eu fui no Castelo de Neuschwanstein, e todas as emoções saíram da caixinha que eu mantenho bem escondida no fundo da minha mente. Eu lembrei dos meus pais falando sobre a época deles na Alemanha, eu pensei no papai, e no tanto de saudade que eu sinto. Eu pensei em como eu tenho zero ideia sobre o que fazer com a minha vida, e como os meus pais, na minha idade, já eram pessoas brilhantes e inspiradoras. Daí, eu comecei a ficar preocupada com o dinheiro que eu estava gastando na viagem – apesar de ter sido o mínimo, gasto com acomodação e comida, ainda era mais dinheiro do que eu teria gasto se eu tivesse ficado quieta na Haia.

Ficar pensando levou a muita bebedeira uma enxaqueca louca e uma culpa danada por estar viajando ao invés de ~economizar dinheiro para o futuro~.

Foi aí que eu recebi uma mensagem de uma prima. Ela disse que estava organizando algumas coisas quando encontrou uma carta que o meu pai escreveu pra ela quando ela estava fazendo intercâmbio nos EUA – e que a carta continha tudo que ela queria me falar quando ela viu que eu estava viajando.

E, sim, a carta continha tudo que eu preciso ler. Escrita há 21 anos, no dia 3 de junho de 1996 (eu não tinha nem um ano de idade!), esta carta tem tudo que uma alma jovem, errante e confusa precisa. Assim, decidi compartilhar os trechos relevantes com vocês. ♡

excerpt 1 from my dad's letter

Quero só aproveitar pra dar algumas sugestões, por já ter viajado antes. Em primeiro lugar, não fique com dó de gastar dinheiro. Eu sei que você não vai ficar comprando quinquilharias, e que o que você quiser será razoável. Por isso, vá em frente. Se há uma cidade, show ou museu pra visitar, vá lá, não deixe pra depois. Se achar algum curso para fazer, faça. O que você gastar agora, voltará em dobro ou triplo na sua satisfação e crescimento pessoa. Também não precisa pensar em emprego e futuro profissional. Pense no seu presente pessoal e interior, o que vai te fazer mais rica e feliz, é pra isso que você está viajando. Depois que você voltar, pode pensar na vida real, mas você já terá adquirido uma outra visão dos problemas.

Também por causa disso, não se preocupe em estar sempre alegre e feliz. Às vezes, dá um baixo astral, sensação de solidão e de estar perdendo tempo. Nada disso. A solidão e o baixo astral também ajudam no auto-descobrimento. Por isso, não fuja das experiências só por lhe parecerem frustrantes ou solitárias. Lembre-se do Fichinha* e sua trava de Fernando Pessoa: “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena. Quem quer passar o Trobador, tem que passar além da dor.”

*Fichinha: antigo professor de Filosofia do meu pai e da minha prima.

A solidão e o baixo astral também ajudam no auto-descobrimento. tweet

excerpt 2 from my dad's letter sofia chang

 

“[Vá ver Denver, as montanhas em geral…]. Vá de ônibus ou de trem, o que for mais barato. Fique sempre em Youth Hostels, onde dá pra conhecer muita gente e pegar dicas quentes. Não pense em conhecer muitas cidades, pois são todas iguais. Importante é conhecer muitas pessoas e viajar pelo prazer e aprendizado da própria viagem.

 

excerpt 3 from my dad's letter sofia changexcerpt 4 from my dad's letter sofia chang

 

“Se surgir idéia de outro curso qualquer, faça-o. Não pelo que você pode aprender na escola, que é importante, mas pelo que você vai viver fora da escola, que é o mais importante. Não fique com pressa de voltar, por maior que seja a saudade lá e cá. Fique enquanto estiver vivendo coisas novas. E fique de olhos bem abertos, para não perder nada a sua volta.

 

excerpt 5 from my dad's letter sofia chang

 

Como eu disse, o tempo é curto. Não posso me alongar nestes conselhos. Viva intensamente tudo o que lhe parecer interessante. Don’t be happy, be free. Livre para ser alegre ou triste, sem medo.

Don't be happy, be free. Livre para ser alegre ou triste, sem medo. tweet

Obrigada, papai. ♡

Espero que vocês achem isso tão inspirador e eterno quanto eu achei. Também espero que tenha ajudado vocês de alguma forma. Precisando desabafar, reclamar da vida ou dar mais conselhos, pode comentar aqui ou me gritar no twitter – @sofiachangx. Ah, e se você gostou, clica aí embaixo nos botões de compartilhar ♡

Inté.

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2 Comments

  • Reply Claudia Hi

    Tô quase chorando aqui Sofia. Eu me sinto exatamente como você e como a sua prima deveria estar se sentindo. Essa carta trouxe uma paz. Agora fico mais tranquila por não estar numa carreira de sucesso na idade que estou e por “desperdiçar” tempo e dinheiro em viagens e saídas com pessoas queridas. Se pensar que tudo isso é aprendizado, é vivência, é um curso, uma faculdade sem diploma, eu fico com a alma mais leve e me sinto livre de poder fazer mais do que eu gosto sem pensar muito no futuro.

    Obrigada por compartilhar ♥

    03/05/2017 at 12:36 PM
    • Reply Sofia

      Ai, miga! Agora que vi seu comentário, desculpa pela demora! Eu tô aprendendo a não me sentir culpada por não ser “perfeita” e ter tudo resolvido – afinal, quem é perfeito, e quem tem tudo resolvido, né? Conhecendo mais sobre o papai, conversando com os primos dele e tal, eu percebo que ele, a pessoa que eu mais admiro no mundo, também teve seus momentos de dúvida, insegurança, incerteza, então tá tuto pen, haha. Obrigada pelo carinho ♥

      27/06/2017 at 9:43 PM

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