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    Um fim de semana em Paris

    “Eu não tenho vontade de ir a Paris, não tenho curiosidade, sei lá, só iria se alguém pagasse pra mim, haha”, eu dizia toda vez que alguém me perguntava se eu já tinha ido a Paris, já que estou morando na Europa e tal. Mas lá estava eu, no dia 20 de maio, descendo de um ônibus na estação Porte Maillot, às 8 da manhã, com cara de zumbi, depois de passar uma noite viajando.

    De repente, um humano pula do nada do meu lado e me abraça. Um dos meus melhores amigos do colégio, o Leroy, a quem eu devo muito. Eu sabia que eu ‘tava precisando ficar perto de pessoas familiares e amigas, mas, meudeusdocéu, eu não sabia do tanto que eu precisava disso até abraçar o Leroy.

    Então, eu estava em Paris. Mas não exatamente porque era Paris, mas mais por conta do amigo que eu queria tanto ver. O Leroy se mudou do Brasil no ano passado para estudar na Alemanha e, do nada, eu fiquei sem os nossos encontros semanais para um café e um papo cabeça.

    “Você está em Paris, então, onde quer ir?”, ele perguntou. Que pergunta pra se fazer pra uma Sofia meio zumbi e morrendo de fome, né? “Qualquer lugar com comida”, duh.

    Fomos andando. Logo, chegamos no tal Arco do Triunfo. MEUDEUS, O ARCO DO TRIUNFO, um trem que eu nunca pensei em ver na vida!

    – Você quer tirar uma selfie?

    – Nah, eu tô bem, só quero comer. Mas até que é bonitinho, né?

    – LÓGICO, é um monumento majestoso que foi comissionado pelo Napoleão depois da vitória de Austerlitz. Como que você fala que “é bonitinho”, é um símbolo importante, *insira um blá-blá-blá eterno sobre história francesa aqui*.

    Então, a coisa com o Leroy é que ele não só é um profundo conhecedor de História e Geopolítica, mas ele também tem uma obsessão com a França. O idioma, a cultura, a comida, a história, tudo. Ele tinha mil fatos aleatórios sobre cada canto que fomos em Paris. Ah, fulano foi esfaqueado aqui, tal político passou uma semana naquele hotel, esta outra coisa aconteceu em 1985, a prefeita atual tá fazendo tal coisa…

    Atravessamos o Arco e começamos a descer a Avenida Champs-Élysées. *insira a musiquinha aqui* TODOS. OS. CAFÉS. OFERECENDO. CAFÉ. DA. MANHÃ. GOSTOSO. E. BARATO. AAAAAAAAAAAA. Foi aí que a ficha caiu – MEUDEUS, eu tô em Paris!!!! COMIDA GOSTOSA E CAFÉS BONITINHOS E O LEROY, COMO LIDAR. 

    Eu nem sei como que escolhemos um café onde comer, já que tinha trocentas opções disponíveis, haha. Só sei que nós sentamos, pedimos café da manhã para dois, comemos um pãozinho gostoso, um croissant gostoso, tinha suco de laranja natural e feito na hora (raridade aqui na Europa) e um café decente… E nós conversamos. Por mais de três horas. E o garçom não fez nada pra nos enxotar de lá!!! Na verdade, ele foi tão simpático! Eu fui preparada pra lidar com o ~famoso tratamento grosseiro dos franceses~, mas, nah, o garçom foi mega simpático, queria saber de onde éramos, o que estávamos fazendo em Paris, o que estudávamos, blá-blá-blá.

    Passamos o sábado e o domingo explorando ruazinhas parisienses, pegamos o metrô trocentas vezes pra irmos a lugares diferentes, mas o que mais fizemos foi sentar na grama pra um piquenique, conversar, ouvir música, cochilar e ler. Eu acho que esse é o tipo de coisa que dá pra fazer em qualquer lugar, só que fizemos do lado da Torre Eiffel, no Jardim de Luxemburgo, do lado do Trocadéro… etc. Nós também abraçamos um Golden Retriever gigante que tava brincando perto da gente num parque (aqui) e, aaaaaa, como eu tava muito necessitada de abraços caninos ♡.

    Na noite de sábado, fui conhecer um migo do twitter, o Seb (@Far0s). Ele mora em Paris há alguns anos, então já sabia onde achar comida gostosa, o que é sempre Prioridade Número Um, né, haha. Nos encontramos perto da estação Saint-Michel, região cheia de ruazinhas com mil restaurantes, e jantamos por lá mesmo. Obrigada por ter tirado um tempinho do seu fim de semana pra me mostrar onde achar comida boa, Seb!

    Na segunda-feira, outro encontro agradável – almoço com minha professora de literatura favorita do colégio. Poucos dias antes de eu ir a Paris, ela havia postado no Facebook que estava estudando por lá, então Leroy e eu entramos e contato e marcamos um encontro. Yay. Ela era (é!!!) uma professora brilhante, responsável pelo meu amor por vários romances e pela língua portuguesa, haha. Enfim.

    Nós três fomos almoçar num restaurante perto do Jardim de Luxemburgo, e de lá fomos pra Montmartre, onde fica a Basílica de Sacré Cœur. Conversamos sobre o colégio, política, estudos, a vida…É tão bom poder conversar com alguém que você sempre admirou e respeitou muito depois de anos sem ver a pessoa, né? Sempre serei grata por ter sido aluna dela.

    Na noite de segunda, já estava voltando para a Haia.

    Acho que se fosse pra descrever o meu fim de semana em Paris com uma palavra, eu diria que ele foi maravilhoso.

    Todos os pensamentos ansiosos que estavam me corroendo por dentro desapareceram. Todo o estresse me dando enxaquecas insanas, também. Ver pessoas que eu amo, pessoas “de casa”, fez meu ansioso coraçãozinho voltar ao normal. Ninguém foi grosseiro com a gente. Nós podíamos sentar em cafés ou restaurantes por horas, conversando e apreciando a comida, sem ficar com a sensação de que será que esse garçom tá tentando enxotar a gente daqui? Todo mundo foi très sympathique. Talvez tenha sido porque não chegamos impondo o ‘nosso’ inglês a ninguém, então fomos tratados com o maior respeito do mundo. Não sei.

    Só sei que necessito de mais dias como os dias que passei em Paris. E que sou eternamente grata por todas as pessoas que existem na minha vida, pelas conversas maravilhosas, por tudo que aprendo com elas, e por elas estarem sempre ao meu lado, ainda mais neste continente esquisito. Ah, e muito obrigada, Leroy. Paris não teria sido tão maravilhosa se não fosse por você ♡

    arc de triomphe paris france sofia changArco do Triunfopetit déjeuner paris france sofia changCafé da manhããã
    jardin des tuileries paris france sofia changJardins das Tulheriasjardin des tuileries paris france sofia changJardins das Tulherias – vista do Obelisco de Lúxor.jardin des tuileries paris france sofia changJardins das Tulheriasjardin des tuileries paris france sofia chang 2Jardins das Tulheriasmusee du louvre paris france sofia changporte des lions paris france sofia changparis france streets sofia chang 2tour eiffel paris france sofia chang 2paris france view bridge sofia changpatrick blanc vertical garden paris france sofia changJardim Vertical Patrick Blanctrocadero paris france sofia changTrocadeirometro paris france sofia changpont alexandre iii paris france sofia changPonte Alexandre IIIparis france streets sofia chang 3montmartre paris france sofia changExplorando Montmartresacre coeur paris france sofia changBasílica de Sacré-Cœur

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    Explorando La Défenseleroy napping paris france sofia changLeroy cochilando 😛sofia chang paris france jardin du luxembourgJardim de Luxemburgo
    paris france streets sofia changExplorando Parisleroy sofia chang jardin du luxembourg paris franceTentei tirar uma selfie com o Leroy, mas ele não quis 🙁

    Você já foi a Paris? Se sim, qual a sua coisa favorita na cidade? Se não, você tem vontade de ir lá? Me conta comentando aqui ou mandando um tweet pra @sofiachangx.

    a letter from dad sofia chang

    “Não seja feliz, seja livre”: uma carta do papai.

    Então, eu fui viajar há alguns dias.

    Munique, Praga, Budapeste. Munique porque é uma cidade que eu sempre quis conhecer, desde que eu era criancinha – é a cidade onde meus pais se conheceram, foram no seu primeiro encontro etc (a história toda, né). Praga e Budapeste porque várias pessoas recomendaram e porque eram baratas.

    No meu último dia em Munique, eu fui no Castelo de Neuschwanstein, e todas as emoções saíram da caixinha que eu mantenho bem escondida no fundo da minha mente. Eu lembrei dos meus pais falando sobre a época deles na Alemanha, eu pensei no papai, e no tanto de saudade que eu sinto. Eu pensei em como eu tenho zero ideia sobre o que fazer com a minha vida, e como os meus pais, na minha idade, já eram pessoas brilhantes e inspiradoras. Daí, eu comecei a ficar preocupada com o dinheiro que eu estava gastando na viagem – apesar de ter sido o mínimo, gasto com acomodação e comida, ainda era mais dinheiro do que eu teria gasto se eu tivesse ficado quieta na Haia.

    Ficar pensando levou a muita bebedeira uma enxaqueca louca e uma culpa danada por estar viajando ao invés de ~economizar dinheiro para o futuro~.

    Foi aí que eu recebi uma mensagem de uma prima. Ela disse que estava organizando algumas coisas quando encontrou uma carta que o meu pai escreveu pra ela quando ela estava fazendo intercâmbio nos EUA – e que a carta continha tudo que ela queria me falar quando ela viu que eu estava viajando.

    E, sim, a carta continha tudo que eu preciso ler. Escrita há 21 anos, no dia 3 de junho de 1996 (eu não tinha nem um ano de idade!), esta carta tem tudo que uma alma jovem, errante e confusa precisa. Assim, decidi compartilhar os trechos relevantes com vocês. ♡

    excerpt 1 from my dad's letter

    Quero só aproveitar pra dar algumas sugestões, por já ter viajado antes. Em primeiro lugar, não fique com dó de gastar dinheiro. Eu sei que você não vai ficar comprando quinquilharias, e que o que você quiser será razoável. Por isso, vá em frente. Se há uma cidade, show ou museu pra visitar, vá lá, não deixe pra depois. Se achar algum curso para fazer, faça. O que você gastar agora, voltará em dobro ou triplo na sua satisfação e crescimento pessoa. Também não precisa pensar em emprego e futuro profissional. Pense no seu presente pessoal e interior, o que vai te fazer mais rica e feliz, é pra isso que você está viajando. Depois que você voltar, pode pensar na vida real, mas você já terá adquirido uma outra visão dos problemas.

    Também por causa disso, não se preocupe em estar sempre alegre e feliz. Às vezes, dá um baixo astral, sensação de solidão e de estar perdendo tempo. Nada disso. A solidão e o baixo astral também ajudam no auto-descobrimento. Por isso, não fuja das experiências só por lhe parecerem frustrantes ou solitárias. Lembre-se do Fichinha* e sua trava de Fernando Pessoa: “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena. Quem quer passar o Trobador, tem que passar além da dor.”

    *Fichinha: antigo professor de Filosofia do meu pai e da minha prima.

    A solidão e o baixo astral também ajudam no auto-descobrimento. tweet

    excerpt 2 from my dad's letter sofia chang

     

    “[Vá ver Denver, as montanhas em geral…]. Vá de ônibus ou de trem, o que for mais barato. Fique sempre em Youth Hostels, onde dá pra conhecer muita gente e pegar dicas quentes. Não pense em conhecer muitas cidades, pois são todas iguais. Importante é conhecer muitas pessoas e viajar pelo prazer e aprendizado da própria viagem.

     

    excerpt 3 from my dad's letter sofia changexcerpt 4 from my dad's letter sofia chang

     

    “Se surgir idéia de outro curso qualquer, faça-o. Não pelo que você pode aprender na escola, que é importante, mas pelo que você vai viver fora da escola, que é o mais importante. Não fique com pressa de voltar, por maior que seja a saudade lá e cá. Fique enquanto estiver vivendo coisas novas. E fique de olhos bem abertos, para não perder nada a sua volta.

     

    excerpt 5 from my dad's letter sofia chang

     

    Como eu disse, o tempo é curto. Não posso me alongar nestes conselhos. Viva intensamente tudo o que lhe parecer interessante. Don’t be happy, be free. Livre para ser alegre ou triste, sem medo.

    Don't be happy, be free. Livre para ser alegre ou triste, sem medo. tweet

    Obrigada, papai. ♡

    Espero que vocês achem isso tão inspirador e eterno quanto eu achei. Também espero que tenha ajudado vocês de alguma forma. Precisando desabafar, reclamar da vida ou dar mais conselhos, pode comentar aqui ou me gritar no twitter – @sofiachangx. Ah, e se você gostou, clica aí embaixo nos botões de compartilhar ♡

    Inté.